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10 anos de Ondjaki

Quarta-feira, 06.10.10

Foi hoje na Livraria Buchholz, em Lisboa, que me deliciei a ouvir o poeta angolano Ondjaki.

No dia em que o poeta comemorou 10 anos de carreira, foi a apresentação da sua mais recente obra - "Dentro de mim faz Sul seguido de Acto Sanguíneo" - mais um livro de poesia carregada pela musicalidade africana.

Embora não seja uma grande apreciadora de poesia foi com imenso prazer que vi essa excelente apresentação. Estão de parabéns o escritor pela sua magnificência e a Livraria Buchholz pelo espaço tão aprasível e onde foi tão bom acabar um dia.

 

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por Paula Patricio às 21:50

A Noite na Ilha, Pablo Neruda

Sábado, 05.06.10

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

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por Paula Patricio às 18:32

O Homem Estátua, Orlando Neves Lizardo

Terça-feira, 23.03.10

Umas das coisas positivas da minha profissão é ter a oportunidade de conhecer pessoas verdadeiramente interessantes, que estão à minha frente não apenas para comprar uma viagem de sonho, mas também para falar. Felizmente, desde que iniciei essa profissão, já conheci pessoas que deixaram de ser clientes apenas e passaram a ser amigos.

Uma destas pessoas, é o sr. Orlando Neves Lizardo, um homem que, pelo meio da conversa profissional, mostrou-me ser um poeta e, assim, com a sua devida autorização, quero apresentar-vos um dos seus poemas: O Homem Estátua. E reza assim:

 

O Homem Estátua


Numa tarde com sol, na Primavera,

Andava vagueando no Chiado,

Quando vi um "Homem Estátua" no passeio

Imitando a figura de Camões.
Petreficado, imóvel, permanece.

Então, num movimento inesperado,
Desperta, estremece.

 

Alteando um rosto pálido, inspirado,

Começa a recitar, de cor, uns versos:

Sonorosas estâncias d'Os Lusíadas

Do seu Canto Primeiro.
Quem dera fosse eterno

Tão breve e belo instante

E nunca passageiro.

 

Olhando, meio cego, para mim,

Não quis saber quem sou

Essa estátua falante.

A estátua era um poeta a recitar

Nessa tarde com sol, na Primavera.

O homem mascarado ele era alguém,

Alguém que eu nunca soube quem ele era...

 

Em momentos dum tempo, já sem crenças,

Por vezes me convenço

Que os milagres da vida

No tormento das nossas incertezas

Nascem da fé, de sonhos, de ilusões.

E assim esse "Homem estátua", mascarado

Não sendo até julguei que era Camões.

 

Ó homem mascarado

Ó estátua de carne,

Com alma de poeta,

Eu vi-te, nessa tarde, no Chiado.
E se eu tiver, em mim, alguma fé,

Até direi que nessa tarde eu vi

Camões ressuscitado!

 

In, O Arauto de Bocage, n.º 135/136 - Março/Abril, p. 8

 

Ao sr. Orlando Neves Lizardo tenho de agradecer os minutos que me "roubou" e que presenteou com as suas belas palavras. O brilho dos seus olhos quando recita o poema era contagiante. A si apenas agradeço por ter trazido um pouco mais de luz e de beleza naquela minha tarde de sol, na Primavera.

 

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por Paula Patricio às 21:29

Barco Poético com Nuno Miguel Henriques

Quinta-feira, 28.05.09

O último destaque que o Sapo me deu fez com que algumas pessoas viessem até aqui e partilharam das minhas paixões. Recebi muitos comentários, os quais agradeço imenso, e recebi dois emails muito interessantes. Um deixo para outras núpcias; o outro irá ser destacada hoje.

A pedido de Carlos Antunes, do Museu da Poesia, deixo aqui o convite para participarem numa iniciativa louvável para os amantes da poesia, em particular, e os amantes da cultura, em geral.

"O Barco Poético é hoje uma iniciativa de sucesso reconhecido, pelo seu carácter dinâmico, inovador e de aventura, que já levou milhares de pessoas pela viagem da poesia portuguesa.

Com viagens regulares no Rio Tejo, no Rio Douro, no Rio Mondego e ocasionais no Rio Sado e Barragem do Alqueva, este evento é hoje uma referência nos amantes da língua portuguesa e da lírica em particular. Nada melhor que associar a aventura ao mundo fantástico da poesia, pois como escreveu Miguel Torga "Em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar!". Ao longo de muitos anos, tem-se tentado cativar e criar apetência nos jovens e público em geral, para os autores portugueses e a poesia em particular.

Assim, o Museu da Poesia promove este acontecimento não só para estudantes e professores de todo o país, como para grupos seniores, autarquias e outros, além de viagens especiais para famílias e pessoas individuais.

 

Uma aventura única, singular e diferente.

 

Uma viagem multidisciplinar, que conjuga a aprendizagem de diversas disciplinas assistindo-se a um Recital e conversando-se sobre Poesia com o diseur Nuno Miguel Henriques, duarnte uma parte da viagem em verdadeiro espectáculo poético, onde o cenário são as águas dos rios, as luzes das cidades ou simplesmente otras navegações, além de adereços e apontamentos, ilustrados por sons musicais e muitas vezes naturais das aves e do bater das correntes e da mutação constante que a água leva no seu percurso natural e poético.

 

Durante o resto do tempo, vislumbra-se a paisagem nesta viagem pela e com a poesia portuguesa e imbuídos de um espírito aventureiro, numa façanha de alma e da língua portuguesa.

Em qualquer dos casos, o repertório é escolhid conforme o público presente, aceitando o Museu da Poesia sugestões de organizadores.

Este evento é realizado ora em embarcações tradicionais e históricas, ora em barcos mais convencionais, conforme as datas, locais e disponibilidades.

 

Depois do Barco do Amor, agora temos ao dispor o Barco Poético, onde esperamos continuar a receber milhares de pessoas de todo o país, aconselhando a reservas antecipadas, pois as datas disponíveis têm tendência a esgotar facilmente.

 

O Barco da Poesia tem uma viagem úncia com a interpretação a bordo de um barco, de textos de Poetas Portugueses pelo diseur Nuno Miguel Henriques (www.nunomiguelhenriques.com).

 

Além das viagens diurnas para grupos organizados, o Museu da Poesia promove igualmente viagens nocturnas nos rios Mondego, Douro e Tejo."

 

 

É um evento a não perder e aproveito para vos dar as datas das viagens especiais na companhia de Nuno Miguel Henriques:

 

Rio Tejo (Veleiro Príncipe Perfeito): 18 Junho, às 21:45

Rio Mondego: 26 Junho, às 21:45

Rio Douro: 03 Julho, às 21:45

 

Para mais informações, vá a www.museudapoesia.com ou envie um email para geral@museudapoesia.com

 

Se preferir falar, ligue para os seguintes números: 210 135 916 / 220 176 079 ou 961 245 985 / 938 646 610

 

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Dia Mundial da Poesia

Sábado, 21.03.09

Para fazer parte do rol de actividades que preencheram o dia que hoje, deixo aqui o meu contributo ...

ser SER

 

seja ruído

seja beijo

seja voo

seja andorinha

seja lago

seja pacatez de árvore

seja aterrizagem de borboleta

seja mármore de elefante

seja alma de gaivota

seja luz num olhar

seja um cardume de tardes

e grite: JÁ SOU

 

Ondjaki, Há Prendisagens com o Xão

 

Para saber mais sobre o jovem escritor clica em pt.wikipedia.org/wiki/Ondjaki

 

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por Paula Patricio às 21:03

Antero de Quental - O Filme

Sábado, 14.03.09

O Teatro Micaelense teve a honra de ser o palco para a ante-estreia do filme “Anthero – O Palácio da Ventura”, o mais recente projecto de José Medeiros, onde se narra a história do poeta açoreano, o qual foi uma das principais figuras da filosofia e da literatura portuguesa.

Segundo o realizador, “é uma ficção baseada na vida e obra de Antero de Quental e que porventura poderá desvendar aspectos menos conhecidos de um homem extraordinário.”

 

Ainda antes de ser transmitido na RTP-Açores, irão ser feitas várias apresentações públicas, nomeadamente np Teatro Faialense, nas Casas dos Açores em Lisboa, Porto e Faro e provavelmente na Universidade de Boston, tudo com o intuito de levar a película “a um número mais vasto de pessoas.”

 

Será com muito prazer e orgulho que irei assistir a essa grande produção açoreana.

Para todos os que se interessam pelo trabalho de Antero, essa é a oportunidade de conhecer ainda mais a sua vida.

 

O Palácio da Ventura
 
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
 
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
 
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
 
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão -- e nada mais!
 
 
                          Antero de Quental

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por Paula Patricio às 09:34

Identidade, Mia Couto

Quarta-feira, 11.03.09

Já fazia algum tempo que não me debruçava sobre a poesia.
Houve uma altura, algures no meu passado, em que me identificava muito com a poesia e lia imenso esse género. Depois cansei-me e liguei-me a outras leituras.

Agora com a nova colecção da revista Visão, a poesia entrou novamente na minha vida.

Ainda bem que as revistas portuguesas fazem essas "ofertas" de forma a conseguirmos livros de excelentes escritores a preços simbólicos.

A colecção de que falo - "Frente e Verso" - lança todas as semanas uma obra de poesia e uma obra de prosa do mesmo escritor e por apenas 0.50 cêntimos!!!

 

Um dos livros é o do escritor moçambicano Mia Couto e a poesia dele é deveras marcante (Raíz de Orvalho e Outros Poemas); o mesmo não posso dizer na prosa (O Fio das Missangas).

Mas quem sou eu para pôr em causa a credibilidade de um escritor como Mia Couto? O homem que já foi galardoado com o Prémio Vergílio Ferreira (1999),  com o Prémio União Latina de Literaturas Românicas (2007) e com o Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura pelo seu romance O Outro Pé de Sereia. De muitos dos poemas que gostei, vou citar o inicial, datado de Setembro de 1977:

 

Pois, não sou ninguém como o romeiro de Frei Luís de Sousa.

 

De muitos dos poemas que gostei, vou citar o inicial, datado de Setembro de 1977:

 

Identidade

Preciso de ser outro

para ser eu mesmo

 

Sou grão de rocha

Sou o vento que a desgasta

 

Sou pólen sem insecto

 

Sou areia sustentando

o sexo das árvores

 

Existo onde me desconheço

aguardando pelo meu passado

ansiando a esperança do futuro

 

No mundo que combato

morro

no mundo por que luto

nasço.

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Poesia de Manuel Alegre

Sexta-feira, 15.02.08

R (erre)

 

"Com erre se diz rosa

Com erre se faz roxo

Erre de rocha: resistente.

Rumor de rio, rumor de rua;

Erre por vezes sem ruído.

 

(Erre de rico: que lembra

rapina garra concorrência

é o erre que tem por dentro

o tigre não a guitarra

erre de grr o de rico)

 

Com erre se diz rosto riso

Rapariga

Com erre se responde.

Rumor de ramo, rumor de remo

Erre por vezes sem ruído.

 

Com erre se resite."

 

Manuel Alegre, 12 de Janeiro de 1974

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por Paula Patricio às 21:59

Sem uma palavra, sem um sinal

Sexta-feira, 04.05.07

"Amo-te não só pelo que és, mas por aquilo que sou quando estou contigo.
Amo-te não só por aquilo que fizeste de ti, mas por aquilo que fazes de mim.
Amo-te por que fizeste mais do que qualquer Credo poderia ter feito para me tornar bom, e mais do que qualquer fado poderia ter feito para me tornar feliz.
Fizeste-o sem um toque, sem uma palavra, sem um sinal!
Fizeste-o sendo tu próprio.
Talvez seja isso o que significa ser amigo, afinal!!!"

 

autor anónimo

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por Paula Patricio às 21:44


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